Lopo do Nascimento abandona a política aos 71 anos

Publicado 23/01/2014 17:40:04

23/01/2014 17:40:04

O antigo e primeiro primeiro-ministro de Angola Lopo do Nascimento anunciou esta quinta-feira em Luanda, em discurso no parlamento, o abandono da política activa.

Lopo do Nascimento, que em três momentos do discurso de despedida foi interrompido com palmas dos deputados da oposição, centrou a sua intervenção num apelo à juventude de Angola para que encontre "posições de acções comuns verdadeiramente importantes" para o futuro do país.

O histórico dirigente do MPLA, partido no poder em Angola desde a independência em 1975, invocou "razões particulares" para abandonar a política ativa.

Lopo do Nascimento, 71 anos, exerceu o cargo de primeiro-ministro desde o primeiro dia de independência, a 11 de Novembro de 1975, até 9 de Dezembro de 1978, e foi entre 1991 e 1992 ministro da Administração do Território.

No plano partidário, em 1993 ocupou o cargo de secretário-geral do MPLA.

No seu discurso de hoje, Lopo do Nascimento dirigiu-se particularmente aos líderes das organizações juvenis dos partidos com assento parlamentar, referindo que "o futuro do país" está nas mãos dos jovens.

"Vocês, jovens, não podem perder-se em discussões de infantários, que apenas vos dividem e impedem posições de acções comuns em relação ao que é verdadeiramente importante para o futuro do país", acentuou.

"O futuro deste país, cujo presente custou sangue, suor e lágrimas está nas vossas mãos", acrescentou.

O histórico dirigente de Angola ressaltou ainda o facto de em África as eleições serem importantes, "mas não suficientes" para a criação de uma nação.

"Vocês, jovens, têm de estudar em conjunto novos rumos para África", disse Lopo do Nascimento, pedindo para não sejam "meros papagaios repetidores".

"Em África, a maioria dos partidos são muito assentes numa base étnico, linguístico, cultural, de modo que quando as eleições excluem um partido, não é uma organização política que está a ser excluída, mas sim um grupo social, étnico, linguístico e cultural", frisou.

Segundo Lopo do Nascimento, a exclusão resultante dos processos eleitorais está na base de vários conflitos em África.

"Criamos os Estados, fizemos os Governo, mas falta criarmos a Nação. Os vossos pais, os vossos avós meteram-se na trilha da libertação que levou à independência de África. Agora é altura de vocês meterem-se na trilha da construção da nação", acentuou.

O ex-deputado lembrou ainda que "a nação não é de nenhum partido, é obra de todos e pertence a todos".

"Hoje em muitos países do nosso continente, o importante para subir na vida é a cor do cartão do partido, é o vir de onde vêm ou a raça da pessoa e vocês jovens africanos têm de preparar-se para ajudar a mudar esses critérios a favor da educação, da formação e da competência", enfatizou Lopo do Nascimento.

Nos seus 34 anos de experiência parlamentar, desde 1980, Lopes do Nascimento destacou os nomes de três antigos camaradas que marcaram a sua trajetória.

"Lúcio Lara (histórico do MPLA) pela sua capacidade de ouvir os outros, Mfulupinga Landu Victor (falecido líder do PDP-ANA, partido hoje sem assento parlamentar) pela sua personalidade inconformista, pois elas fazem mudar o mundo, e Agostinho Mendes de Carvalho (histórico do MPLA) pela sua rectidão na defesa das causas do povo angolano", referiu.

No final, agradeceu ainda aos demais deputados o ensinamento de que não detém o monopólio da verdade e os outros dos erros.

Lusa / Agora

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Afinal, o entendimento é possível entre as partes

Para os políticos, mas também para o poder, até se faz segredo com os nossos assuntos, como se eles fossem os iluminados e nós, os ignorantes.

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