Pessoas que vivem em zonas altas estão mais susceptíveis a contrair malária

Publicado 07/03/2014 16:04:55

07/03/2014 16:04:55

As pessoas que vivem em terras altas em África e na América do Sul podem correr risco acrescido de contrair malária durante os anos mais quentes, segundo um novo estudo sobre a doença hoje publicado pela BBC.

De acordo com uma pesquisa feita por cientistas da Universidade norte-americana de Michigan, as altas temperaturas estão a ajudar a espalhar a malária para zonas mais montanhosas, que, de resto, consideram, têm sido um "refúgio tradicional" da doença.

"O risco da doença diminui com a altitude e é por isso que, historicamente, as pessoas se instalaram nessas regiões mais altas", disse o pesquisador da Universidade de Michigan, Mercedes Pascual, citado pela BBC.

Mas, segundo a investigação, no futuro, o aumento da temperatura pode contribuir para o registo de milhões de casos adicionais da doença em algumas destas áreas.

Os cientistas afirmam que a elevação das temperaturas pode causar uma maior disseminação e que a enfermidade está entrar em novas regiões que anteriormente eram consideradas livres da malária.

Os cientistas examinaram áreas densamente povoadas em terras altas da Colômbia e Etiópia, onde há registos pormenorizados de altas temperaturas e de casos de malária de 1990 a 2005.

No final, os investigadores concluíram que, nos anos mais quentes, a malária começou a "escalar" montanhas, enquanto em anos mais frios se mantém em altitudes mais baixas, o que, em parte, justifica o aumento substancial de casos observados nas regiões altas, disse Mercedes Pascual.

Na Etiópia, onde quase metade da população vive a uma altitude de entre 1.600 e 2.400 metros, os cientistas acreditam que pode haver muitos mais casos.

"Nós estimamos que, com base na distribuição da malária em função da altitude, uma elevação de um grau celsius da temperatura pode aumentar anualmente em três milhões os casos adicionais de malária em crianças menores de 15 anos", disse Mercedes Pascual.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, pelo menos 627.000 pessoas, nomeadamente crianças africanas, morreram de malária no ano passado, que registou 207 milhões de casos da pandemia.

Lusa / Agora

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